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Picanha fica 43,5% mais cara e o motivo é surpreendente

As mudanças climáticas têm trazido consequências significativas em diversas áreas, incluindo o agronegócio. 

No Brasil, a combinação de seca e queimadas intensificou a situação, afetando diretamente a produção agrícola. Com o agravamento dessas condições, produtos essenciais como café, feijão, carnes e leite têm sofrido aumentos expressivos de preço.

De acordo com um estudo realizado pela Neogrid, o cenário atual levou a um aumento acentuado nos preços de vários alimentos. O levantamento apontou que, em apenas seis semanas, o preço da picanha sofreu um aumento substancial de 43,5%. 

As condições climáticas adversas estão forçando os produtores a adaptar suas práticas, resultando em custos de produção mais elevados.

Como as queimadas afetam a produção agropecuária?

As queimadas são um dos fatores que mais impactam a agropecuária no Brasil, já que muitas áreas de pastagens, indispensáveis para a criação de gado, foram devastadas. 

De acordo com dados da MapBiomas, em agosto, a extensão queimada foi equivalente ao tamanho do estado da Paraíba, o que prejudicou fortemente a pecuária e, consequentemente, elevou os preços da carne e produtos lácteos.

A mudança para criações de gado confinados, uma alternativa necessária diante das queimadas, resulta em um aumento dos custos operacionais, o que se reflete diretamente no preço final dos produtos para os consumidores.

Quais produtos estão com maior elevação de preço?

Entre os produtos que apresentaram maior aumento de preço, o café e o feijão se destacaram com altas de 14,4% e 22,1%, respectivamente. Além disso, o leite teve um reajuste de 9,6%, segundo os dados observados entre agosto e setembro. 

Esses aumentos são resultado da redução da área disponível para plantio e da antecipação da entressafra, forçando uma adaptação que eleva os custos de produção.

Além disso, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) reportou que cerca de 230 mil hectares de cana-de-açúcar no estado de São Paulo foram afetados apenas em agosto. Isso provocou um aumento no preço do açúcar refinado em 5,9%, refletindo as dificuldades enfrentadas pelos produtores em manter o ritmo de produção com a mesma eficiência de antes.

Quais são as perspectivas para o futuro?

Com o avanço das condições adversas, como queimadas persistentes e secas prolongadas, as expectativas para o futuro não são otimistas em relação aos preços dos alimentos. 

A previsão é de que os custos continuem a subir, com a produção agrícola afetada pela falta de chuvas e pela cada vez maior dificuldade para controlar incêndios florestais.

Produtores e consumidores aguardam que políticas eficientes sejam implementadas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, buscando uma estabilização nos preços dos alimentos e a recuperação das áreas agrícolas devastadas. 

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Sobre o Autor

Milena Brandão

Jornalista, redatora, curiosa e apaixonada por um monte de coisas!