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Taxação de super-ricos no Brasil deixaria país menos desigual, diz estudo

Um estudo recente da Tax Justice Network, divulgado na última segunda-feira (19), revelou que o Brasil poderia arrecadar impressionantes US$ 47,5 bilhões ao tributar os super-ricos com uma taxa entre 1,7% e 3,5%. Esta quantia equivale a aproximadamente R$ 260 bilhões, destacando o imenso potencial da medida.

Se adotada globalmente, essa tributação poderia gerar uma arrecadação anual de US$ 2,1 trilhões, mais do que o dobro do necessário para financiar o combate às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento. Este tema é uma prioridade para as negociações da COP 29 em 2024.

Como a tributação dos super-ricos pode beneficiar o Brasil

Alex Cobham, CEO da Tax Justice Network, enfatiza que a implementação de um imposto nacional sobre a riqueza poderia ajudar significativamente o Brasil a enfrentar suas desigualdades. Ele ressalta que as desigualdades extremas no país são exacerbadas pelas dimensões raciais e de gênero.

O estudo baseia-se no modelo de tributação sobre a riqueza adotado na Espanha, onde uma taxa é aplicada a 0,5% das famílias mais abastadas. A expectativa é que o Brasil poderia aumentar seu orçamento em até 7% com a implementação dessa medida.

Por que é necessário tributar os bilionários?

A Tax Justice Network argumenta que os bilionários pagam, em média, metade das taxas de imposto que o restante da população paga. Essa discrepância não só mantém a desigualdade, mas também impacta negativamente a economia, resultando em menor produtividade e piores resultados sociais.

O relatório revela que apenas 3% da riqueza de cada país está nas mãos da metade mais pobre da população, enquanto os 0,5% mais ricos controlam 25,7% da riqueza total. Estes dados evidenciam a concentração extrema de riqueza e a necessidade de reformas fiscais.

Como implementar um imposto sobre a riqueza no Brasil?

O estudo fornece um roteiro detalhado para a implementação de impostos sobre a riqueza. Abaixo estão algumas etapas recomendadas:

  • Identificação dos Super-Ricos: Mapear as famílias mais ricas do Brasil.
  • Definição de Taxas: Estabelecer taxas entre 1,7% e 3,5%.
  • Reforma Tributária: Modificar as políticas fiscais existentes para incorporar o novo imposto.
  • Fiscalização: Implantar mecanismos de controle e auditoria eficientes.

Alex Cobham destaca que a implementação de um imposto sobre a riqueza poderia servir como um exemplo para outras nações, ajudando a reduzir as desigualdades econômicas em escala global.

Quais são os próximos passos?

Para que a proposta seja adotada, será necessário um grande esforço político e social. A liderança do Brasil, particularmente nas discussões com o G20, pode ser crucial para estabelecer um modelo global de tributação dos super-ricos.

Diminuir a desigualdade e melhorar a produtividade e os resultados sociais são objetivos alcançáveis com a adoção dessa medida. A expectativa é que, uma vez implementada, sirva como um catalisador para reformas fiscais mais amplas que beneficiem toda a sociedade.

Com essas medidas, o Brasil não só poderá arrecadar mais recursos, mas também promoverá uma sociedade mais justa e equitativa, alinhada com os objetivos globais de desenvolvimento sustentável e justiça social.

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Sobre o Autor

Milena Brandão

Jornalista, redatora, curiosa e apaixonada por um monte de coisas!